Ainda...
Desde que o sol nasce e os rios correm para o mar, a criação segue um mesmo ritmo, sem mudança. Seu caráter permanece igual, constante, imutável, ainda. Por milhares de anos, a maçã cai e apodrece, a aranha tece, o salmão luta, e a borboleta expressa vida nova. Da mesma forma a mais alta criação de todas, a humanidade, continuará a expressar seu estado atual.
Ainda a maçã apodrece ao cair do galho, decompondo-se a cada momento enquanto jaz ao pé da árvore, desligada de sua fonte. Assim é o homem imundo que rejeita a verdade em troca de uma mentira, entregando-se à sua própria luxúria e desejos, vivendo uma vida de devassidão. Por fora, só há a sugestão de uma batida, mas por dentro, a maçã está comida de podridão e em decomposição.
Ainda a aranha tece sua teia. Gotinhas de orvalho cintilam em seus fios intrincados sob a luz matutina — uma linda demonstração de seu trabalho, mas uma armadilha mortal invisÃvel para o inseto inocente que jaz lutando dentro da teia. Assim é o negociante injusto que constroe seu próprio pequeno império, fazendo uma oferta tentadora ao inocente comprador - suas mercadorias adornadas para a venda com o propósito de ganho próprio à custa de outros.
Ainda, o salmão luta determinadamente contra a correnteza, com zelo, saltando os obstáculos em seu caminho rio-acima para reproduzir-se. Assim é o homem que deseja fazer o que é certo, lutando para vencer os obstáculos que aparecem em seu caminho - os obstáculos da sociedade que encorajam o egocentrismo da pessoa. Este homem deixa seus afazeres para ajudar o seu próximo e se humilha o suficiente para pedir perdão e restituir os erros que ele faz. Ele trabalha duramente e honestamente para satisfazer as necessidades de sua famÃlia. Ele é determinado em viver por aquilo que ele sabe que é certo e dar as costas ao que ele sabe que é errado.
Ainda a crisálida desabrocha com nova vida — as velhas coisas se vão e novas coisas vêm — como as asas da borboleta estendem-se em toda sua glória – levando-a para a liberdade, agora já não uma lagarta, mas transformada em uma nova criação, totalmente livre da velha criação. Assim serão os santos que, desistindo de suas vidas velhas, injustas e sujas, ou até mesmo justas e direitas, são agora separados para expressar sua liberdade recém-encontrada. Vivendo juntos em comunidade - a formação de uma nova ordem social, eles vivem para demonstrar o verdadeiro caráter do Criador, através de Seu amor e unidade trabalhando neles.
Todos quatro permanecerão eternamente: O Injusto, o Imundo, o Justo, o Santo... sempre e sempre, imutáveis, constantemente os mesmos, como sempre e para sempre, fixos - por toda eternidade... Ainda!
|